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BELAS MEMÓRIAS: Matola Chora! – Jornal Notícias


Anabela Massingue

MESMO sem lágrimas no canto do olho ou mesmo a escorrer no rosto, todo o indivíduo que vive na Matola chora, literalmente. Lá chora-se alto e também em surdina. Os que foram dados a falar, levam esse choro como tema de conversa em qualquer lugar a onde estiverem mais do que uma pessoa. Uns até choram, atirando balas sem sequer conhecer o alvo a abater, e outros aos murmúrios. Os que choram calados também manifestam esse choro, no mínimo pela expressão facial. Existem os que se calam mas não por consentir, pois acabam por entrar em stress com eles mesmos.

Lá na Matola, clama-se por alguma solução ou atenuante para o problema do congestionamento que já tira do sério a qualquer um, seja condutor ou não, desde que use o meio de transporte para se movimentar dentro da Matola, e fora desta.

Nos últimos tempos o problema atingiu níveis insuportáveis, ao ponto de obrigar a redução da hora da saída de casa, nas manhãs, para as cinco. Falo de quem pretenda usar a EN4 no sentido Ressano Garcia-Maputo, quando antes, seis horas period o very best.

Se antes os camiões de transporte de carga eram interditos de round antes das 8.00 horas, o mesmo já não se verifica nos últimos dias.

De e para Matola é proibido ter pressa ou fazer cálculos acertados para, atempadamente, chegar ao native de trabalho, a uma consulta médica, ao aeroporto para uma viagem aérea, muito menos uma emergência de saúde.

Ao fim do dia, quando todos os que se fizeram ao centro da cidade de Maputo precisam de regressar àquela que se vai assumindo como cidade dormitório, a Matola, a situação é, no mínimo, gritante. Nem a Polícia de Trânsito que gere este assunto, pelo menos nos entroncamentos, consegue evitar o pior. Chega-se a levar duas horas entre as cidades de Maputo e Matola.

Os automobilistas com menos paciência ignoram tudo e todos para se aliviarem do stress, inventando mais faixas de rodagem onde nunca ninguém pensou.

Com a engenharia dos furiosos, fora do controlo da Polícia, um eixo da through concebido para duas faixas de rodagem, chega a ter entre três, quatro ou mesmo cinco, tudo na luta desenfreada de regressar à casa, onde prevalece a Lei da selva.

Lá na Matola, o congestionamento aperta demasiadamente nos dias chuvosos quando quase todos os carros apinham-se a uma única through, porque as alternativas estão intransitáveis.

Será que um dia haverá solução para este problema? De que forma podem os pensadores do ramo de infra-estruturas ou gestores das estradas apresentar alguns atenuantes, numa altura em que a expansão urbana é a olhos vistos.

Os problemas de congestionamento na Matola vão para além da concessionada EN4, tida como a melhor through que a província e o país tem.

Agora nem o ditado segundo o qual “criança que não chora não mama” me parece ter sentido para este caso. Será que valerá a pena ainda chorar?

(anmassingue@gmail.com)





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